"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Desafio literário 2012 - Resumo

Enfim, terminei minha última resenha para o DL-2012. Minha lista foi modificada ao longo do ano mas consegui alcançar meu objetivo, que foi completar o desafio lendo ao menos um título para cada tema proposto.

Segue minha lista oficial, com todos os títulos lidos. Os que mais gostei estão destacados.


JANEIRO - Literatura Gastronômica  
O mistério do chocolate (Hannah Swensen Mysteries 1)- Joanne Fluke

FEVEREIRO - Nome Próprio (de pessoas) 
Marina - Carlos Ruiz Zafón

MARÇO - Serial Killer 
Post-mortem - Patrícia Cornwell
As esganadas - Jô Soares
5o Cavaleiro - James Patterson

ABRIL - Escritor(a) oriental  
O rastro do sândalo - Asha Miró (Índia)
O olho de jade - Diane Wei Liang (China)
                  
MAIO - Fatos Históricos 
A resposta - Kathryn Stockett - (problemas raciais no Mississipi)
Resistência - A História de uma Mulher que Desafiou Hitler, de Agnes Humbert

JUNHO - Viagem no Tempo 
A Mulher do Viajante no Tempo - Audrey Niffenegger

JULHO - Prêmio Jabuti  
Estação Carandiru - Drauzio Varella

AGOSTO - Terror 
MR. X - Peter Straub

SETEMBRO - Mitologia universal 
Mitos e lendas para crianças - Dorling Kindersley

OUTUBRO - Graphic Novel 
Persépolis - Marjane Satrapi

NOVEMBRO - Escritor(a) africano 
Cotoco - John van de Ruit (África do Sul)
                   
DEZEMBRO - Poesia 
Sentimentos do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Desafio literário - Poesia - Sentimentos do Mundo - Drummond

Para encerrar o desafio literário 2012, escolhi, para o tema de dezembro - Poesia, Carlos Drummond de Andrade.

Como a vida é cheia de surpresas, fui surpreendida com a escolha aleatória deste livro de Drummond, "Sentimento do Mundo", publicado em 1940. Explico: há alguns meses, na página da Biblioteca no Face apareceu um aplicativo em que, através de um teste, descobria-se qual poesia de Drummond poderia ser dedicada à você. À mim coube "Os ombros suportam o mundo", que até então, desconhecia. Para minha surpresa, era uma das poesias desse livro que escolhi sem maiores pretensões, a qual faço questão de compartilhar com todos:

Os Ombros Suportam o Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Sentimento do Mundo
Carlos Drummond de Andrade
Companhia das Letras - 2012 - Ed. Bolso
77 páginas
Sinopse:
Publicado em 1940, Sentimento do mundo permanece, tantos anos depois, ainda um dos livros mais celebrados da carreira de Drummond. Não é para menos: o livro enfileira poemas clássicos como “Sentimento do mundo”, “Confidência do Itabirano”, “Poema da necessidade” - é possível que versos do livro inteiro tenham sido impressos no inconsciente literário brasileiro, tamanha é sua repercussão até hoje. Já estabelecido no Rio e observando o mundo (e a si mesmo) de uma perspectiva urbana, o Drummond de Sentimento do mundo oscila entre diversos polos: cidade x interior, atualidade x memórias, eu x mundo. Perfeita depuração dos livros anteriores, este é um verdadeiro marco - e como se isso não bastasse, é o livro que prepara o terreno para nada menos do que A rosa do povo (1945). Por isso a ênfase, ao longo de todo o livro, na vida presente.


Um dos mais conhecidos e admirados poetas brasileiros, este poeta e cronista nasceu em Minas Gerais, na cidade de Itabira, em 31 de outubro de 1902. Estudou em Belo Horizonte e em Nova Friburgo, se formou em farmácia, mas foi escrevendo que se realizou. Sua primeira obra poética publicada foi ''Algumas Poesias”, em 1930, e não parou mais, sendo que muitos de seus livros foram traduzidos para outras línguas.

Em suas obras você consegue acompanhar a evolução dos acontecimentos, suas poesias revelam os problemas do mundo, durante a Segunda Guerra. Ele soube analisar o homem moderno e seus sentimentos, e o seu modo de escrever sobre o assunto variava entre a sensibilidade e a ironia. Drummond faleceu em agosto de 1987, na cidade do Rio de Janeiro.

Meu preferido:

Não se mate 

Carlos, sossegue, o amor 
é isso que você está vendo: 
hoje beija, amanhã não beija, 
depois de amanhã é domingo 
e segunda-feira ninguém sabe 
o que será.

Inútil você resistir 
ou mesmo suicidar-se. 
Não se mate, oh não se mate, 
reserve-se todo para 
as bodas que ninguém sabe 
quando virão, 
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico, 
a noite passou em você, 
e os recalques se sublimando, 
lá dentro um barulho inefável, 
rezas, 
vitrolas, 
santos que se persignam,  
anúncios do melhor sabão, 
barulho que ninguém sabe 
de quê, praquê. 

Entretanto você caminha 
melancólico e vertical. 
Você é a palmeira, você é o grito 
que ninguém ouviu no teatro 
e as luzes todas se apagam. 
O amor no escuro, não, no claro, 
é sempre triste, meu filho, Carlos, 
mas não diga nada a ninguém, 
ninguém sabe nem saberá. 

("Brejo das almas". In:_____. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Retrospectiva Literária 2012 - Entre nessa

Pelo segundo ano consecutivo vou participar da Retrospectiva Literária iniciada em 2010 pela Angélica Roz, do blog Pensamento Tangencial. 

A retrospectiva é uma blogagem coletiva, onde todos os participantes postarão, no dia 31/12/2012, uma lista de suas leituras de 2012, de acordo com as questões propostas no blog de origem.

Então é só aguardar o último dia do ano, para saber quais os livros se destacaram entre os blogueiros participantes. Até lá!

E por falar em HQ

No post anterior citei minhas HQ's preferidas quando criança. Claro que também li muito Pato Donald e Turma da Mônica, mas esses foram inesquecíveis. Então, para refrescar a memória de alguns e trazer ao conhecimento de tantos outros, aí vão os meus quadrinhos inesquecíveis.

Fantasma - o espírito que anda
Depois do Pedrinho do Sítio do Pica-pau Amarelo, talvez este tenha sido minha segunda paixão platônica. Criação do americano Lee Falk, o Fantasma surgiu em 1936, chegando ao Brasil a partir de 1940, como tirinhas de jornal. Depois, entre as décadas de 50 e 80 foi publicado pela editora RGE.


"Na escuridão da selva, os tambores murmuram: Há mais de 400 anos, uma embarcação foi atacada por piratas Singh. O filho de um lorde inglês, que sobreviveu na costa de Bengala, foi acolhido por pigmeus Bandar. Algum tempo depois, recuperado fisicamente, mas ainda tomado pela dor da perda, o jovem Kit, toma o crânio descarnado do assassino de seu pai (reconhecido por trajar as roupas de seu pai) e profere o célebre juramento da caveira: "Juro dedicar minha vida à tarefa de destruir a pirataria, a ganância, a crueldade e a injustiça. E meus filhos e os filhos de meus filhos me perpetuarão". A partir daí surge a dinastia do fantasma de pai para filho, uma herança é passada. Sempre com o mesmo uniforme, e por séculos combatendo a vilania, surge o mito da imortalidade. Na verdade, o atual herói é da 21ª geração da Dinastia do Fantasma e se chama Kit Walker como todos os seus antecessores".

Foram feitos dois filmes sobre a história do Fantasma. Um em 1943, com o ator Tom Tyller, com 15 episódios, e outro em 1996, com o ator Billy Zane e Catherine Zeta-Jones.

Mais sobre o Espírito que anda:



A vaca voadora
Baseado no livro de Edy Lima, de mesmo nome, em janeiro de 1977 foi lançado, pela editora RGE, o primeiro exemplar do gibi A vaca voadora. Os personagens principais, além da vaca, é claro, são, o menino Lalau, de 06 anos e Tio Gumercindo. A vaca passou a voar depois de tomar um elixir preparado por uma das tias de Lalau, Maricotinha ou Quiquinha.

Volume 1 - Janeiro de 1977
Volume 7 - Julho de 1977

Persépolis - Marjane Satrapi

Nunca diga "não gosto" antes de experimentar algo. Só assim você terá experiência para dizer não quero, não gostei. Quando me propus a participar do Desafio Literário 2012, foi exatamente em função de me obrigar a experimentar novos temas, conhecer outros autores, enfim, deixar de ser leitora de um gênero só. Ainda assim, torci o nariz para alguns dos temas indicados, um deles, a tal da Graphic Novel, tema de outubro

Histórias em quadrinhos para mim eram os gibis que tanto li quando menina e que hoje não consigo achar graça. Também me lembro de alguns inesquecíveis, como as histórias do Fantasma - O Espírito que anda, do Recruta Zero e da Vaca Voadora (que pouquíssimos se lembram). Enfim, não conseguia me imaginar lendo HQ outra vez, até ler PERSÉPOLIS.
Persépolis é a autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, nome artístico de Marjane Ebihamis, nascida em Rasth, Irã, em 22/11/1969. Marjane é uma romancista gráfica, ilustradora e escritora infanto-juvenil, e mora na França.

Nesse caso, acredito que fui cativada pela forma bem humorada de como a história foi contada, não apenas sobre a vida da autora, mas de um regime político sobre o qual eu nunca tive interesse em me aprofundar. Através dos olhos e dos pensamentos de Marjane consegui compreender um pouco da história do povo iraniano, e, mesmo que ainda não consiga aceitar o regime político imposto ao iranianos, passei a admirar o povo, que, como qualquer outro, quer apenas ser feliz. 
  
Persépolis
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2007 - 352 págs.
Sinopse:
Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente,o humor se infiltra no drama — e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar. Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969, e atualmente vive em Paris.

Com o mesmo talento e desenvoltura para contar histórias, e ainda recorrendo as suas memórias, Marjane lançou dois outros quadrinhos: Bordados e Frango com ameixas. O primeiro retrata sua infância em Teerã, nos almoços que reuniam toda a família na casa de sua avó. O segundo, conta-nos a vida de seu tio, Nasser Ali, que passou a vida tentando se recuperar da tristeza de ter perdido o instrumento que o fez um dos maiores artistas iranianos: o tar, quebrado por sua esposa durante uma briga do casal.

Bordados
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2010 - 136 págs.
Sinopse:
Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o "bordado", tema deste que é o terceiro livro de Satrapi publicado pela Companhia das Letras. Os leitores de Persépolisreconhecerão aqui as marcas registradas da autora: o humor cortante, o traço simples em preto e branco, o feminismo mordaz, jamais patrulheiro. O "bordado" iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo "tricô", não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, a mesma que conhecemos em Persépolis, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.

Frango com ameixas
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2008 - 88 págs.
Sinopse:
Se em Persépolis Marjane Satrapi empreendeu um relato autobiográfico, emFrango com ameixas não é sua própria vida que está em foco, mas a de seu tio. Artista como ela, Nasser Ali começa a narrativa com uma tragédia pessoal: durante uma briga, sua mulher destruiu o antigo e precioso tar (um instrumento de cordas da tradição persa) que o celebrizara como um dos maiores músicos do país. Nasser Ali sai em busca de um novo instrumento, mas parece impossível encontrar um que tenha o som tão perfeito como o que ele herdara na juventude, durante seus anos de formação. A procura pelo tar o leva a conflitos com a família, com os amigos e com sua própria identidade de artista - é como se ela tivesse se rompido junto com o instrumento. Começam a vir à tona, então, as escolhas que ele poderia ter feito e as conseqüências das escolhas que fez, como a de se casar com a mulher que viria a destruir o seu maior bem. A narrativa traz as grandes marcas que fizeram a fama de Persépolis correr mundo: a combinação da simplicidade dos desenhos com uma notável capacidade para contar histórias, em que um humor peculiar, o misticismo persa, as complicadas relações com a cultura ocidental e a singularidade da família de Marjane. O que pode parecer uma história bastante específica se mostra universal. Sobreposta à biografia de Marjane - uma artista que só encontrou seu meio de expressão ao enfrentar os conflitos políticos e culturais de seu país -, a história pode ser lida como um belo manifesto pela liberdade de criação artística e pela arte como sinônimo máximo da individualidade. O tom predominante, marcadamente triste, não impede que o humor se infiltre, o que nos dá prova de que Marjane Satrapi está entre as grandes contadoras de histórias dos nossos dias.


Persépolis e Frango com ameixas também foram adaptados para o cinema. 

Persépolis, em 2008, na forma de longa-metragem de animação, em branco e preto, tal como os quadrinhos. Frango com ameixas foi lançado em 2011 no formato de filme com atores de carne e osso.




Quer saber mais?
Marjane Satrapi, foto retirada do blog da Cia. das Letras




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