"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

sábado, 30 de junho de 2012

A mulher do viajante no tempo - Audrey Niffenegger

Este mês a leitura do Desafio Literário 2012 foi sobre viagem no tempo. Gostaria de ter lido outros títulos, mas por falta de tempo, fiquei só com esse mesmo, e, confesso, gostei muito de "A mulher do viajante no tempo", da escritora americana, Audrey Niffenegger .

De início achei um pouco confuso, uma vez que as passagens entre um tempo e outro na vida da personagem central me pareciam um tanto sem lógica. Mas no decorrer da leitura, fui surpreendida pela doçura do relacionamento entre Henry e Clare.

Henry De Tamble tem um estranho problema genético: em situações de estresse, e sem que ele possa controlar, viaja no tempo, indo do passado ao futuro. Numa dessas viagens ao passado, ele conhece uma menininha chamada Claire, que se torna sua âncora no presente onde ele tenta viver uma vida normal, como bibliotecário, marido e amigo. Essas idas e vindas de Henry pelo tempo é o fio condutor de sua vida com Claire. É um amor em compasso de espera, de saudade, de amizade e, sobretudo, de cumplicidade.

Vale a pena conhecer essa história de amor que nem o tempo consegue apagar. Nota 4.

A mulher do viajante no tempo
Audrey Niffenegger
Suma de Letras
496 pgs.
Sinopse:
O livro narra a história do casal Henry e Clare. Quando os dois se conhecem Henry tem 28 anos e Clare, vinte. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal.  Henry sofre de um distúrbio genético raro. De tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele se vê viajando no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação. 

Em 2009 o livro foi adaptado para o cinema e aqui no Brasil foi lançado como "Eu te amarei para sempre". Ainda não vi, mas depois da leitura, logicamente estou super curiosa para assistir.

Elenco: Eric Bana e Rachel  McAdams


"A mulher do viajante no tempo" foi o romance de estréia de Audrey, que depois escreveu "Uma estranha Simetria", também publicado aqui no Brasil pela Editora Suma de Letras, que fala sobre a relação entre irmãos gêmeos.

Li "Uma estranha simetria" antes, e posso dizer que, embora um pouco mais sombrio, também é uma história muito interessante.
Uma estranha simetria
Audrey Niffenegger
Suma de Letras
Sinopse:
A história de Uma estranha simetria, gira em torno da morte de Elspeth Noblin, que transforma-se em um fantasma. “Elspeth se torna um fantasma porque, ao morrer, ela se recusa a ir embora. É essencialmente a sua própria vontade que a mantém aqui. O que eu deixo um pouco no ar é o quão sincera ela está sendo. Ao longo do livro é a sua extrema força de vontade que faz tudo acontecer”, explica a autora. Quando Edie, a irmã gêmea de Elspeth, recebe a notícia de sua morte, vem junto uma surpresa: ela deixou para as sobrinhas o seu apartamento com vista para o imponente cemitério Highgate, em Londres – com a condição de que as duas vivam lá por um ano. Quanto a Edie e seu marido, Jack, o testamento estipula que não podem acompanhar as meninas na mudança nem entrar no apartamento." As gêmeas Julia e Valentina, de 20 anos, têm uma forte conexão, como se espera de irmãs condicionadas à presença uma da outra desde o útero. Situação muito diferente da que vivia sua mãe e sua tia, Elspeth: não se viam há 21 anos, e viviam a um oceano de distância. As meninas nunca tinham estado em Londres. Nunca haviam saído dos Estados Unidos. Londres era a terra de sua mãe, mas Edie e Jack raramente falavam sobre o assunto. Agora, Edie era americana - tinha se tornado nativa, ou quase isso. A família Poole morava em um subúrbio de Chicago que fingiu, em seus primórdios, ser uma aldeia inglesa. Mas a descoberta de que estava prestes a morrer, faz com que Elspeth quisesse se aproximar de suas sobrinhas. As razões da tia, desvendadas pouco a pouco, são inusitadas e inesperadas. Em uma carta endereçada as gêmeas, ela revela: "Eu esperava conhecê-las algum dia, mas isso não vai acontecer. Talvez vocês estejam se perguntando por que estou deixando todos os meus badulaques para vocês e não para a sua mãe. A melhor explicação que posso dar é que me sinto bastante esperançosa em relação às duas. Fico curiosa em saber que proveito poderão tirar da situação. (...) Talvez vocês considerem minhas condições um pouco duras. (...) Não estou tentando semear discórdia na sua família. Estou tentando proteger minha própria história. Uma coisa ruim sobre estar à beira da morte é que comecei a sentir que minha vida está sendo apagada. Outra coisa ruim é que não vou conseguir descobrir o que vai acontecer depois". É assim que Julia e Valentina, segunda geração de gêmeas da família Poole, partem rumo a uma experiência transformadora.

domingo, 17 de junho de 2012

Carandiru - Um depoimento póstumo - Renato Castellani

Todos sabem da minha paixão por romances espíritas, contudo, gosto muito mais de livros que me trazem histórias sobre a vida além túmulo, em que os desencarnados contam sobre seu desligamento, sua passagem, sua adaptação, e os espíritos há mais tempo na pátria espiritual falam de seus afazeres, dos trabalhos junto aos encarnados e socorro aos desencarnados.

Por isso é lógico que minha curiosidade foi aguçada quando me deparei com o lançamento de Carandiru - Um depoimento póstumo, e estou ansiosa para iniciar a leitura. 

Publicado pela Editora Lachâtre, o livro foi psicografado pelo espírito Zeca através do médium Renato Castellani. O que me chamou a atenção para a história é o fato de que a narrativa é feita a partir do ponto de vista de um dos 111 presidiários mortos na invasão ocorrida em outubro/1992.

Outro fato curioso é que o editor só conseguiu checar as minúcias relatadas no livro, após ser preso injustamente. 

Já assisti ao filme Carandiru, baseado no livro do Dr. Drauzio Varella - Estação Carandiru, e fiquei impressionada com o universo daquele presídio e com o desenrolar da trama que culminou com o massacre, contado sob a ótica de quem conviveu com os detentos por muitos anos. Agora quero conhecer o outro lado da história: o que aconteceu com os espíritos daqueles detentos, após o doloroso combate. Aliás, assunto esse que muito me intriga, afinal, os erros cometidos durante a vida terrena pode nos levar para tortuosos caminhos no astral.

Bom, depois conto o que achei. Com vocês: Carandiru - Um depoimento póstumo de Renato Castellani e Zeca.

(Obs.: acabei de ler e confesso que esperava mais, contudo, a mensagem principal é que todos, até os maus, têm o seu momento de bondade, e, com certeza absoluta, todas as nossas ações e pensamentos são realmente colocados numa balança na viagem de volta).

Carandiru - um depoimento póstumo
Renato Castellani / Zeca
Ed. Lachâtre
1/2012 - 204 pgs.
Sinopse:
Sobre o massacre do Carandiru falaram sobreviventes e policiais. Faltava o depoimento dos executados. Esta obra é o relato de um dos presos do Carandiru executados no fatídico dia 2 de Outubro de 1992. De uma narrativa de violência e dor, destaca-se a mensagem de esperança que se desenvolve ao descobrir que a Providência Divina extrai lições mesmo dos momentos mais dramáticos de nossas vidas. 

Leia sobre a prisão do editor do livro e como ele conseguiu checar a veracidade das informações narradas pelo espírito Zeca.


Carandiru - o filme
Carandiru - Trailler

Estação Carandiru - Drauzio Varella

Impulsionada pelo Desafio Literário 2012, cujo tema do mês de julho eram títulos nacionais vencedores do Prêmio Jabuti, decidi ler Estação Carandiru, escrito pelo Dr. Drauzio Varella, uma vez que já havia visto o filme e lido Carandiru - Um depoimento póstumo, conforme já contei acima. 

Estação Carandiru foi vencedor do Prêmio Jabuti, como livro do ano não ficção em 2000. 

Escrito pelo Dr. Dráuzio Varella, o livro descreve o cotidiano do médico, durante uma década de trabalho voluntário no então, maior presídio do Brasil, conhecido como Carandiru. Com uma narrativa direta e até poética, o autor nos conta, em detalhes, como era a vida da população carcerária do presídio, nos apresentando personagens reais, que retratam o quão curiosa é a vida paralela que se leva na reclusão dos presídios. Eu gostei muito do filme, mas o achei um pouco caricato. O livro, ao contrário, nos deixa bem próximos da realidade vivida pelo autor, e das peculiaridades existentes somente atrás das grades. Nota 5.

Estação Carandiru
Drauzio Varella
Cia. das Letras
1999
Sinopse:
O médico Drauzio Varella relata dez anos de atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e mostra como um código penal não-escrito organizava o comportamento da população carcerária. Em 1989, o médico Drauzio Varella iniciou na Detenção um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Entre os mais de 7200 presos, conheceu pessoas como Mário Cachorro, Roberto Carlos, Sem-Chance, seu Jeremias, Alfinete, Filósofo, Loreta e seu Luís. Não importava a pena a que tinham sido condenados, todos seguiam um rígido código penal não escrito, criado pela própria população carcerária. Contrariá-lo poderia equivaler à morte. O relato de Drauzio Varella neste livro tem as tonalidades da experiência pessoal: não busca denunciar um sistema prisional antiquado e desumano; expressa uma disposição para tratar com as pessoas caso a caso, mesmo em condições nada propícias à manifestação da individualidade.  Lançado em 1999 e transformado em filme em 2003, por Hector Babenco, Estação Carandiru recebeu o Prêmio Jabuti 2000 de livro do ano e, desde então, já vendeu centenas de milhares de exemplares.



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