"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

domingo, 16 de dezembro de 2012

Persépolis - Marjane Satrapi

Nunca diga "não gosto" antes de experimentar algo. Só assim você terá experiência para dizer não quero, não gostei. Quando me propus a participar do Desafio Literário 2012, foi exatamente em função de me obrigar a experimentar novos temas, conhecer outros autores, enfim, deixar de ser leitora de um gênero só. Ainda assim, torci o nariz para alguns dos temas indicados, um deles, a tal da Graphic Novel, tema de outubro

Histórias em quadrinhos para mim eram os gibis que tanto li quando menina e que hoje não consigo achar graça. Também me lembro de alguns inesquecíveis, como as histórias do Fantasma - O Espírito que anda, do Recruta Zero e da Vaca Voadora (que pouquíssimos se lembram). Enfim, não conseguia me imaginar lendo HQ outra vez, até ler PERSÉPOLIS.
Persépolis é a autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, nome artístico de Marjane Ebihamis, nascida em Rasth, Irã, em 22/11/1969. Marjane é uma romancista gráfica, ilustradora e escritora infanto-juvenil, e mora na França.

Nesse caso, acredito que fui cativada pela forma bem humorada de como a história foi contada, não apenas sobre a vida da autora, mas de um regime político sobre o qual eu nunca tive interesse em me aprofundar. Através dos olhos e dos pensamentos de Marjane consegui compreender um pouco da história do povo iraniano, e, mesmo que ainda não consiga aceitar o regime político imposto ao iranianos, passei a admirar o povo, que, como qualquer outro, quer apenas ser feliz. 
  
Persépolis
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2007 - 352 págs.
Sinopse:
Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente,o humor se infiltra no drama — e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar. Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969, e atualmente vive em Paris.

Com o mesmo talento e desenvoltura para contar histórias, e ainda recorrendo as suas memórias, Marjane lançou dois outros quadrinhos: Bordados e Frango com ameixas. O primeiro retrata sua infância em Teerã, nos almoços que reuniam toda a família na casa de sua avó. O segundo, conta-nos a vida de seu tio, Nasser Ali, que passou a vida tentando se recuperar da tristeza de ter perdido o instrumento que o fez um dos maiores artistas iranianos: o tar, quebrado por sua esposa durante uma briga do casal.

Bordados
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2010 - 136 págs.
Sinopse:
Os almoços de família na casa da avó de Marjane Satrapi, em Teerã, terminavam sempre com o mesmo ritual: enquanto os homens iam fazer a sesta, as mulheres lavavam a louça. Logo depois começava uma sessão cujo acesso só era permitido a elas - o "bordado", tema deste que é o terceiro livro de Satrapi publicado pela Companhia das Letras. Os leitores de Persépolisreconhecerão aqui as marcas registradas da autora: o humor cortante, o traço simples em preto e branco, o feminismo mordaz, jamais patrulheiro. O "bordado" iraniano seria equivalente ao brasileiríssimo "tricô", não fosse uma acepção bastante particular: a expressão designa também a cirurgia de reconstituição do hímen, uma decisão pragmática para as mulheres que não abrem mão de ter vida sexual antes do casamento mas sabem que precisam corresponder às expectativas das forças moralistas do país. O grupo que se reúne na casa da avó de Marjane, a mesma que conhecemos em Persépolis, é uma amostra de mulheres com moral e experiência bastante variadas, mas sempre às voltas com o machismo e a tradição, sobretudo depois da Revolução Islâmica (1979). Casamentos malfadados, virgindades roubadas, adultérios, frustrações, golpes e autoenganos, narrados com a ironia tão peculiar à autora, mostram que no Irã amar e desamar pode ser ainda mais complicado do que podemos supor.

Frango com ameixas
Marjane Satrapi
Cia. das Letras
2008 - 88 págs.
Sinopse:
Se em Persépolis Marjane Satrapi empreendeu um relato autobiográfico, emFrango com ameixas não é sua própria vida que está em foco, mas a de seu tio. Artista como ela, Nasser Ali começa a narrativa com uma tragédia pessoal: durante uma briga, sua mulher destruiu o antigo e precioso tar (um instrumento de cordas da tradição persa) que o celebrizara como um dos maiores músicos do país. Nasser Ali sai em busca de um novo instrumento, mas parece impossível encontrar um que tenha o som tão perfeito como o que ele herdara na juventude, durante seus anos de formação. A procura pelo tar o leva a conflitos com a família, com os amigos e com sua própria identidade de artista - é como se ela tivesse se rompido junto com o instrumento. Começam a vir à tona, então, as escolhas que ele poderia ter feito e as conseqüências das escolhas que fez, como a de se casar com a mulher que viria a destruir o seu maior bem. A narrativa traz as grandes marcas que fizeram a fama de Persépolis correr mundo: a combinação da simplicidade dos desenhos com uma notável capacidade para contar histórias, em que um humor peculiar, o misticismo persa, as complicadas relações com a cultura ocidental e a singularidade da família de Marjane. O que pode parecer uma história bastante específica se mostra universal. Sobreposta à biografia de Marjane - uma artista que só encontrou seu meio de expressão ao enfrentar os conflitos políticos e culturais de seu país -, a história pode ser lida como um belo manifesto pela liberdade de criação artística e pela arte como sinônimo máximo da individualidade. O tom predominante, marcadamente triste, não impede que o humor se infiltre, o que nos dá prova de que Marjane Satrapi está entre as grandes contadoras de histórias dos nossos dias.


Persépolis e Frango com ameixas também foram adaptados para o cinema. 

Persépolis, em 2008, na forma de longa-metragem de animação, em branco e preto, tal como os quadrinhos. Frango com ameixas foi lançado em 2011 no formato de filme com atores de carne e osso.




Quer saber mais?
Marjane Satrapi, foto retirada do blog da Cia. das Letras




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