"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

domingo, 22 de abril de 2012

MARINA - Carlos Ruiz Zafón

Mesmo tendo iniciado o Desafio Literário 2012 com certo atraso, inicio minhas primeiras resenhas com o tema de Fevereiro - Nome Próprio, e o livro escolhido foi MARINA, do espanhol Carlos Ruiz Zafón.

Marina
Carlos Ruiz Zafón
Editora Suma de Letras - 2011
 192 pags.
Durante anos, sabe-se lá porque, somente os espanhóis puderam conhecer essa, que é uma das mais encantadoras histórias colocadas no papel. Marina foi lançado na Espanha em 1999, antes mesmo dos sucessos A sombra do vento e O jogo do anjo. Curiosamente, os espanhóis catalogaram o livro como infanto-juvenil, porém, apesar da juventude e jovialidade de suas personagens, Marina é, sobretudo, profundo, destinado sim, ao público um "pouco mais antigo".

Assim como nos outros dois romances de Zafón, pelos quais milhões de leitores se apaixonaram, Marina é instigante e arrebatador. A mistura de ingredientes como amizade, amor, saudade, mistério e terror, deu à esse livro um sabor de quero mais.

Marina tem uma narrativa envolvente, ora alegre, ora melancólica, mas, sobretudo, verdadeira, pois nos mostra, mesmo nos momentos de maior tensão, que o amor, de fato, transforma o ser humano, seja em anjo ou monstro.

Mais uma vez Zafón nos leva a percorrer os caminhos de Barcelona, no início dos anos 80, quando nos deparamos com Óscar Drai, um rapazola de seus 15 anos, que vive num internato. Os melhores momentos de sua vida são aqueles em que perambula pelos arredores do orfanato, curioso em descobrir as histórias por trás dos casarões antigos e abandonados, nas ruas escuras e quase sinistras. E é por conta dessa sua curiosidade natural que ele conhece uma das mais ternas personagens já imaginadas: Marina, uma linda e encantadora menina, moradora em um desses antigos casarões com jeito de mal-assombrado. Desse encontro nasce uma grande amizade e um amor que transpõe a barreira do tempo, acompanhando Óscar por toda a sua vida. Marina pode ser descrita como uma encantadora de almas, afinal, com sua doçura, consegue cativar, não só Óscar, mas os próprios leitores, e nos induz a acompanhá-la numa tenebrosa e angustiante história de amor e loucura.


Resumindo: A sombra do vento é, sem dúvida, o meu favorito do escritor, mas não pude deixar de me apaixonar pela história de Óscar e Marina.  Nota 10!

Sinopse:
Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões.

É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora.

Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos.

Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro. (Submarino)



“Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela. - A gente só se lembra do que nunca aconteceu.” p.68 



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