"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

domingo, 22 de abril de 2012

As esganadas - Jô Soares

Há muitos anos li O Xangô de Baker Street do Jô e achei muito interessante. Aproveitando o tema de março - Serial Killer - do Desafio Literário 2012, lá fui eu desvendar o mistério nas páginas de AS ESGANADAS, do Jô Soares.
As esganadas
Jô Soares
Companhia das Letras - 2011
264 pgs.
Confesso que, para o meu gosto, achei mais um livro cômico que propriamente policial. De início já se sabe quem é o serial killer e a razão que o faz agir, o que tira o suspense do livro. No entanto, o que vale a pena e demonstra a inquestionável inteligência do autor, é a mistura de fatos históricos (a narrativa se passa em 1938) e personagens reais e até fictícios com o desenrolar da história. Para quem não viveu na Era Vargas, como eu, é muito interessante visitar o Rio de Janeiro daquela época, que, com todos os problemas, foi, com certeza, uma das décadas mais marcantes e românticas de nossa história.

De 1 a 5, nota 4, ainda que eu não o considere como um livro policial.

Sinopse:
Em As esganadas, o autor do best-seller O xangô de Baker Street explora mais uma vez tema que lhe é caro: os assassinatos em série. No entanto, tal como Alfred Hitchcock, que desprezava os romances policiais cujo objetivo se resume a descobrir quem é o criminoso (o famoso “whodonit”), Jô Soares revela logo no início não somente quem é o desalmado como sua motivação psicológica (melhor dizer psicanalítica) para matar. O delicioso núcleo narrativo está nas tentativas aparvalhadas da polícia de encontrar um criminoso que, além de muito esperto e de não despertar suspeita nenhuma, possui uma rara característica física que dificulta sobremaneira a utilização dos novos “métodos científicos” da polícia carioca. Para investigar os crimes, o famigerado chefe de polícia Filinto Müller designa um delegado ranzinza, assessorado por um auxiliar obtuso e medroso, e que contará com a inestimável ajuda de um sofisticado e culto ex-inspetor. Na perseguição ao criminoso, os três investigadores ganham a desejável companhia de uma jovem linda, destemida, viajada e moderna, que é repórter e fotógrafa da principal revista ilustrada do país. O leitor também pode se fartar aqui com uma outra faceta constante da obra literária de Jô Soares: a escolha de um momento do passado para cenário de sua narrativa, o que lhe permite entrar em detalhes históricos curiosos enquanto desenvolve a trama. Desta vez, voltamos ao Rio de Janeiro do Estado Novo, tendo por pano de fundo mais amplo o avanço do nazismo e as primeiras nuvens ameaçadoras que anunciam a Segunda Guerra Mundial. Entre os eventos da época que Jô resgata estão uma corrida de automóveis no Circuito da Gávea (de que participam o cineasta Manoel de Oliveira e o lendário Chico Landi) e a transmissão pelo rádio da derrota do Brasil de Leônidas da Silva para a Itália na semifinal da Copa de 1938, na França. Com a verve que lhe é característica, Jô consegue, neste As esganadas, realizar a façanha de narrar uma série de crimes brutais, com requintes inimagináveis de crueldade, e deixar o leitor com um sorriso satisfeito nos lábios.

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