"SEMPRE IMAGINEI QUE O PARAÍSO FOSSE UMA ESPÉCIE DE LIVRARIA".
(Jorge Luís Borges)

domingo, 26 de junho de 2011

APÁTRIDA - Ana Paula Bergamasco

APÁTRIDA
Ana Paula Bergamasco
Editora Todas as Falas
338 páginas - 1a ed./2010
Sinopse:
Uma pequena vila na Polônia. Uma menina repleta de vida. Um encontro. Vidas ceifadas. Sonhos destruídos. Infâncias roubadas. As recordações da personagem Irena amarram o leitor na história do século XX. O palco da narrativa é a conturbada Europa pós Primeira Guerra Mundial, culminando com a eclosão da Segunda Grande Guerra e a destruição que ela provocou na vida de milhões de pessoas. A narradora conduz a exposição em primeira pessoa, e remete o leitor a enxergar, através de seus olhos, o cotidiano a que ficou submetida.



Segundo o dicionário, apátrida significa sem pátria; pessoa que nenhum Estado reconhece legalmente como seu cidadão, ou seja, uapátrida é o indivíduo que não é titular de qualquer nacionalidade. Milhares de pessoas se tornaram apátridas no pós-guerra, em razão da unificação de vários territórios.

O livro conta-nos a história de uma polonesa que se tornou apátrida após a segunda grande guerra e que encontrou no Brasil do século XX um lugar para se refugiar e cuidar da família com um pouco mais de tranquilidade e distanciamento dos horrores que viveu.

Não sou  fã de literatura sobre guerras, refugiados, campos de concentração, etc. É um assunto que sempre me causa mal estar e me deixa imersa em uma tristeza profunda. Assim, prefiro me distanciar e continuar vivendo no "mundo cor de rosa" dos romances e crimes imaginários. Também confesso não me empolgar com a literatura nacional, embora reconheça e tenha admiração por muitos autores e livros.

Por tudo isso é que minha descrição de APÁTRIDA se resume em uma única palavra: SURPREENDENTE! Não há resenha que traduza melhor  a história de Irena, do que esta palavra. Diferente de tudo o que já havia lido sobre o assunto, a narrativa de Apátrida, embora profunda e realista, não nos causa mal estar ou sentimento de repulsa por todas as atrocidades ocorridas nos períodos de guerras. Ao contrário, a história, apesar de triste, emociona, enleva, e mostra que a vida só é bem vivida quando o amor, a solidariedade e o respeito pelo ser humano não deixam de existir, mesmo nas maiores dificuldades. Me apaixonei pelos personagens, me encantei com as histórias de cada um e, ao final, torci para que ao sair no portão de casa encontrasse Irena e seus familiares no portão da casa ao lado. Para mim é como se fossem meus conhecidos de longa data, alguém com quem eu pudesse partilhar, compartilhar e celebrar a vida. Claro, APÁTRIDA tornou-se um dos meus livros favoritos. Parabéns a autora Ana Paula Bergamasco.

Aproveitando o tema, um exemplo conhecido de apátrida: Elke Maravilha, nome artístico de Elke Giorgierena Grunnupp Evremides, nascida em 22 de fevereiro de 1945. Filha de um russo e de uma alemã, Elke nasceu na Rússia. Seus pais foram perseguidos por Stalin e resolveram emigrar para o Brasil quando tinha seis anos de idade. Elke foi naturalizada brasileira, mas perdeu sua cidadania após se manifestar contra a ditadura militar, tornando-se apátrida. Anos depois, requisitou a cidadania alemã, a única que possui atualmente. Elke chegou ao Brasil com seis anos de idade e foi morar em Itabira, MG. Começou a carreira de modelo e manequim aos 24 anos, tendo trabalhado para grandes estilistas, considerada como inovadora nas passarelas. Elke é professora, tradutora e intérprete de línguas estrangeiras, incluindo o latim. Foi bancária, secretária trilíngue e bibliotecária. Foi também a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e de inglês na União Cultural Brasil – Estados Unidos. Fala nove idiomas: o russo, o português, o alemão, o italiano, o espanhol, o francês, o inglês, o grego e o latim.


2 comentários:

  1. Estou aguardando, agora mais ardentemente, receber o Apátrida lá do Divas. Seus comentários sobre o livro aguçaram ainda mais minha curiosidade. Amei o detalhe sobre a Elke, mulher que sempre achei fantástica, de vanguarda, uma Diva sempre.

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